Foram, mais uma vez, milhares as pessoas que se juntaram em Ponte de Lima oriundos dos mais diversos lugares do Norte um pouco de todo o País e até da Galiza para assistir a mais uma edição da secular tradição da “Vaca das Cordas”.
Sob um sol escaldante a “vila que não quer ser cidade por isso a mais antiga de Portugal”, como os limianos fazem questão de tratar a sua terra natal, voltou a receber esta tradicional e original festa brava cuja origem se perde nos anais da história.
A devoção a esta festa é muita e este ano apesar da crise não fugiu à tradição, mais uma vez foi Abílio Varela e a sua família a soltar a ‘vaca’ na verdade …(um bonito touro que muitos curiosos foram espreitar apressadamente pois a hora da largada avizinhava-se. O touro deste ano pesa cerca de 400 kg) e deram aos populares aquilo que tanto procuram: emoção, adrenalina, animação, muito folia e o cumprimento da tradição.
É uma tradição que se mantém incólume o que faz muito sentido e, apesar de sofrer algumas variações espontâneas conforme o carácter de cada animal, tem-se mantido no entanto muito interessante. Há tradições cujos rituais são únicos e a Vaca das cordas limiana é impar. Ao final da tarde, cerca das 18 Horas está tudo a postos e pode então soltar-se a Vaca, as atenções concentram-se então no centro histórico e na Rua do Arrabalde, em frente ao portão da Casa de Nossa Senhora de Aurora, onde começa a corrida da ‘Vaca das Cordas’, O touro, controlado por cerca de dezena e meia de pessoas e preso por duas cordas, é conduzido até à Igreja Matriz e preso à janela de ferro da Torre dos Sinos, sendo-lhe dado um banho de vinho tinto da região, "lombo abaixo, para retemperar forças". Seguindo o povo atrás do boi, preso por cordas, em direcção à Igreja Matriz, cumprindo a tradição de dar três voltas ao templo. “É um dia de festa, que mostra a alma e a tradição do povo”, sempre com percalços e muitos trambolhões à mistura dos populares que ousam enfrentá-lo, após o que é levado até ao areal da vila, onde tem lugar uma rocambolesca "tourada" ao ar livre.
Ao anoitecer, o animal é recolhido, sendo posteriormente abatido num matadouro para a carne ser comercializada num talho de Ponte de Lima.
A mais antiga referência que se conhece desta tradição remonta a 1646, quando um código de posturas abrigava os moleiros do concelho (ministros de função) a conduzir, presa por cordas, uma vaca brava, sob condenação de 200 reis pagos na cadeia.
(texto elaborado para narração da reportagem vaca das cordas-tivc.tv)


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