A Câmara de Caminha aprovou segunda-feira, por unanimidade, um protocolo que vai permitir o regresso do festival de música de Vilar de Mouros, um certame que não se realizou nos dois últimos anos.
O protocolo preconiza a criação de uma entidade constituída pela Câmara e pela Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, "que, complementada com eventuais parcerias a celebrar com entidades terceiras, consiga levar a bom porto a reedição do festival já no ano de 2009".
Na quinta-feira, o protocolo será votado na Assembleia de Freguesia de Vilar de Mouros, e só a partir daí é que serão definidos e anunciados os moldes, a fórmula e os prazos de relançamento do decano dos festivais de música do País.
"Antes disso, não parece correcto, nem ético estar a adiantar mais seja o que for sobre o assunto", disse à Lusa a presidente da Câmara de Caminha, Júlia Paula Costa, admitindo apenas que poderá ser criada "uma associação ou uma fundação" para assegurar a organização do festival.
Desconhece-se, assim, se o "Woodstock" português regressará este ano ou apenas em 2010.
"Este ano, o máximo que se poderá realizar será uma edição simbólica, como que para anunciar o regresso, em grande, do festival em 2010, tendo em conta que um festival 'a sério' nunca se poderia preparar com tão pouco tempo de antecedência. Mas em breve haverá novidades", adiantou outra fonte municipal.
Além da Câmara de Caminha e da Junta de Vilar de Mouros, o protocolo será também assinado pela Portoeventos, a sociedade responsável pela organização do festival desde 1999.
O documento preconiza que a Câmara transfira para a Junta de Vilar de Mouros 44.587 euros para pagamento de dívidas referentes à edição de 2005 do festival.
A Junta de Vilar de Mouros e a Portoeventos rescindem, por acordo mútuo, o protocolo que dá a esta sociedade o direito de organizar o festival até 2010.
A Portoeventos cederá também gratuitamente, à Câmara e à Junta, a marca "Festival de Vilar de Mouros", que tinha registado em seu nome.
O Festival de Vilar de Mouros 2007, anunciado como momento de estreia em Portugal de Brian Wilson (ex-Beach Boys), foi cancelado um mês antes da data prevista para a sua realização, por decisão da Junta de Freguesia e da Portoeventos.
Em comunicado conjunto, as duas entidades responsabilizaram a Câmara de Caminha pelo cancelamento, acusando-a de não apoiar o evento.
A Câmara de Caminha refutou a acusação, garantindo que tinha enviado, dias antes, uma carta à organização do festival formalizando um apoio logístico idêntico ao dado no ano anterior.
O conflito arrastou-se e em 2008 o festival voltou a não se realizar, tendo entretanto a Junta de Vilar de Mouros saído a público para anunciar o rompimento do protocolo com a Portoeventos, por alegadas dívidas à freguesia.


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